segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Diário de um cão!

 

Hoje encontrei uma história triste (http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/220402.html), que relata a vida de muitos animais, que li quando era criança no jornal da União Zoofila, o qual eu recebia de vez em quando.
Chorei muito, e ainda hoje quando me lembrava do texto chorava, e agora que o voltei a ler choro também...

1ª Semana – Hoje completei uma semana de vida. Que alegria ter chegado a este mundo!




1º Mês – A minha mãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar.



2 Meses – Hoje separaram-me da minha mãe. Ela estava muito irrequieta e, com o seu olhar, disse-me adeus. Espero que a minha nova “família humana” cuide tão bem de mim como ela o fez.



4 Meses – Cresci rápido., tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e para mim são como “irmãozinhos”. Somos muito brincalhões, eles puxam-me o rabo e eu mordo-os na brincadeira.




5 Meses – Hoje zangaram-se comigo! A minha dona ficou incomodada porque fiz xixi dentro de casa. Mas nunca me explicaram muito bem onde deveria fazê-lo. Além do que, durmo no hall de entrada. Não deu para aguentar.



8 Meses – Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro, tão protegido… Acho que a minha família humana me ama e me dá muitas coisas. O jardim é todo para mim e, às vezes, excedo-me, cavando na terra como os meus antepassados, os lobos quando escondiam comida. Nunca me educam… Deve ser correcto tudo o que faço.



12 Meses – hoje completam um ano. Sou um cão adulto.


13 Meses – Hoje acorrentaram-me e fico quase sem poder movimentar-me até onde apanhe um raio de sol ou quando quero alguma sombra. Dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Os meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam Que orgulho devem ter de mim.




15 Meses – Já nada é igual… moro na varanda. Sinto-me muito só. A minha família já não me quer! Às vezes esquecem-se de que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho tecto que me abrigue…



16 Meses – Hoje tiraram-me da varanda. Estou certo de que a minha família me perdoou. Eu fiquei tão contente que pulava com gosto. Além disso, vão levar-me a passear! Dirigimo-nos para a estrada e, de repente, pararam o automóvel. Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que passaríamos o nosso dia no campo. «Ouçam, estou aqui, esperem”! Ladrei… esqueceram-se de mim… Corri atrás do carro com todas as minhas forças. A minha angústia crescia ao perceber que quase perdia o fôlego. Eles não paravam. Esqueceram-se mesmo de mim.



17 Meses – Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar. Estou só e sinto-me perdido. No meu caminho existem pessoas de bom coração, que me olham com tristeza e me dão algum alimento. Eu agradeço-lhes com o meu olhar, desde o fundo da minha alma. Eu gostaria que me adoptassem: seria leal como ninguém! Mas apenas dizem: «Pobre cãozinho, deve ter-se perdido!».





18 Mês – Um dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e jovens como os meus “irmãozinhos”, aproximei-me e um grupo deles, rindo, atirou-me uma chuva de pedras, feriu-me o olho e, desde então, não vejo com ele.



19 Meses – Parece mentira. Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim. Já estou muito fraco; o meu aspecto mudou. Perdi o meu olho e as pessoas mostram-me a vassoura quando pretendo deitar-me numa pequena sombra.




20 Meses – Passam os carros, um acertou-me!

Eu estava no passeio, mas nunca esquecerei o olhar satisfeito do condutor, que até se vangloriou por me acertar. Oxalá me tivesse matado! Mas só me deslocou as patas traseiras. A dor é terrível. As minhas pernas não me obedecem e com dificuldade arrastei-me até à berma.

Faz já seis dias que estou debaixo de sol e chuva. À noite faz frio. Uma poça lamacenta mata-me a sede. A fome é terrível. Já não posso mexer-me. A dor é insuportável. Sinto-me muito mal. Fiquei num lugar húmido e parece que até o meu pêlo está a cair…



Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem: «não te chegues perto». Já estou quase inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos. A doçura da sua voz fez-me reagir. «Pobre cãozinho, olha como te deixaram», dizia… com ela estava um senhor de bata branca.



Começou a tocar-me e disse: «Sinto muito minha senhora, mas este cão á não tem remédio. É melhor que pare de sofrer». A gentil senhora, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou.



Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar. Somente senti a picada da injecção e dormi para sempre, pensando por que tive de nascer se ninguém me queria…

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